
Eram 40 minutos do dia primeiro de mais um ano.
Ela ouviu todos os fogos, mas não saiu. Ficou remexendo as gavetas do passado, vendo as fotos,
sentindo certa nostalgia, ao mesmo tempo que lembrava de momentos dolorosos. Vitórias e dores....
No balancete do ano que findara, mais alegrias, finalmente! Ou será que nos seus 37 anos nunca se dera conta disso?
Abriu um champagne à meia noite, mesmo, só. Certos rituais são necessários.
Algumas lágrimas brindavam-na nesta noite, mesmo que ela não entendesse bem porque...
O ano acabara, outro começava, mas a vida parecia continuar sem interrupções.
Como aproveitar a garganta embargada? Como gravar as lágrimas que caiam, como entender o que sentia???
Cheia de interrogações, decidiu entrar o ano só. Sim, decidiu. Poderia ter aceitado qualquer convite, mas não queria um convite qualquer... Decidiu escrever... Há tempos isso era um prazer e um estímulo. Uma fuga e um auto-retrato...
Decidiu escrever, descrever o que nem nesmo sabia...
Linhas e linhas desconexas de uma verdade que foi aparecendo, como as lágrimas da escritora...
Era preciso reconhecer: sobreviveu!!!
Era preciso agradecer: viveu! E muito!!!!
Foi feliz, mesmo diante das dificuldades... foi humana, falível, vitoriosa!
Tantas viagens em um ano, quantos amores tentados, tantos outros nem p
Queria estar numa praia, mas a noite, que parecia chuvosa, à traiu. Outras noites virão e a praia lá estará... por certo.
Lembrou que abriu a champagne e à bebeu desde a meia noite... mas não queria se embriagar... ou queria? Por certo meia garrrafa em meia hora não faria mal...
A vida embriaga mais... vem em ondas, de prazer, de trabalho, de desespero, desesperança, fé e novas esperanças... Vida! Sempre vida....
Leu as mensagens de seus conhecidos, viu as fotos do ano... refletiu... Impressionante! Nada concluiu senão a confusão de sentimentos que quiz expressar, mas não pode.
Buscou uma mensagem no Evangelho. Caiu: o Homem de bem, o exemplo de Deus. Amar os inimigos...
E perguntou-se: até quando? Quanto errei??? Em que acertei???
Um balanço ainda impossível...
Qual a diferença entre ser bom e estúpido? Até onde estamos sendo bons, ou sendo imbecís... e foi pensando, remexendo as gavetas da casa vazia, sabendo que a vida valeu a pena. Que se existem lágrimas, é porque existiram bons momentos...
Por que amou, porque se deixou amar...
POR QUE FOI, AINDA É E SEMPRE SERÁ: HUMANA!
(Andréa Wollmann, 2010)
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